sábado, 8 de agosto de 2009

A lenda dos mil D6




Lembrando aqui das sessões passadas, pensei em escrever algo sobre alguma em especial. Foi aí que lembrei de uma sessão que não teve nenhum momento heróico para ser lembrado, nenhuma grande sacada, muito menos uma trama super desenvolvida. Mas essa sessão foi marcada por um incidente hilário, para dizer o mínimo.
O vídeo é péssimo, filmado por uma câmera de celular pelo Betão e zoado pelo mestre Belial, mas o áudio é o que importa (além da cara de "Dramatic Chipmunk" do mestre). Vale lembrar que isso ocorreu há uns 4 anos e já devia ser umas 6 da manhã, todos quase moribundos de sono.

A história foi mais ou menos assim: Estávamos em níveis épicos de D&D e iríamos enfrentar um dragão negro. Estávamos em uma longa escada espiral enquanto o dragão ficava há uns 50 metros abaixo soprando e lançando magias. Todos nós usamos nosso deslocamento para chegar mais perto do dragão e lutar com o bicho no corpo a corpo, às vezes atacando com um salto. Todos, menos o Betão.

Nosso amigo Betão, jogando com um Anão super crescido com a magia Força dos Justos, em ferro maciço com a magia Corpo de Ferro já deveria estar pesando mais de 10x seu singelo peso original de 100 kg. Foi aí que ele teve a idéia de simplesmente pular em cima do dragão e tomar um dano de queda.

Quando ele foi conferir no livro as regras para dano de objetos em queda, teve uma surpresa que nos fez enlouquecer de risos. O dano que ele causaria seria de 1000D6!!! SIM MIL D6!!! Nem magias épicas ridículas e impraticáveis causam esse tanto de dano. Nessa hora resolveram filmar o evento.

No entanto, o mestre Belial julgou que o anão também deveria levar o mesmo dano. Mesmo assim, o momento foi bastante feliz. Depois foi verificado que o dano seria "somente" de 130d6 (o que matou o dragão facilmente também).

Sem mais delongas, deixo aqui o vídeo. Divirtam-se =)

domingo, 2 de agosto de 2009

"Meu kung fu é melhor que o seu"


Sabe quando você encontra um sistema que encaixa perfeitamente na ambientação, na sua proposta? O Qin parece ser mais do que isso... O jogo ambientado em uma China antes da sua unificação, aquela China mítica vista no filmaço "Herói" com o mestre Jet Li, se mostra genialmente construído detalhadamente levando em consideração a filosofia taoísta, de forma que nenhum sistema jamais conseguiu.

O sistema de atributos é dividido em: Metal (sua habilidade marcial, usado para somar ao dano, ao ataque com qualquer arma e testes de força), Água (sua flexibilidade e agilidade, para testes de destreza, esquiva, furtividade, etc), Madeira (sua habilidade mental, usado em testes de raciocínio, conhecimentos, memórias, meditação, etc), Fogo (sua habilidade social, sua expressividade, usado em testes de convencimento, artístico e tudo mais) e Terra (sua habilidade espiritual, usada para testes de magia, resistência a efeitos que atingem diretamente o espírito). Detalhe, o seu Chi (energia vital que pode ser usada para usar os Taos que falarei futuramente ou magias sutis) é determinado pelo módulo da diferença entre atributos físicos e mentais/sociais + Terra, multiplicando por sua perícia mais elevada. Ou seja, quanto mais equilibrado seu personagem for, quanto mais ele se dedicar ao corpo e à mente, mais chi ele terá! Isso dá todo um gosto à questão taoísta do negócio, equilíbrio e tudo mais.

A simplicidade dos atributos também se reflete nas perícias. Poucas perícias, que resolvem sua vida facilmente. Ataque? Teste Metal + sua perícia com arma + o resultado dos dados... Ah... esqueci de falar o maior diferencial do sistema! Os dados! Nada mais que dois D10, um preto e um branco, indo de 0 a 10, simbolizando Yin e Yang. O resultado é a diferença entre o menor e o maior. Se você tirar dois 0, falha crítica ("eu sabia que deveria ter forjado com material mais resistente"), se o valor de um dado for o exato dobro do outro, sucesso crítico. Esses detalhes me encantaram incrivelmente.

Os Taos são usados para realizar feitos lendários, que vemos nos filmes clássicos. Tao das Seis Direções permite que você ande na parede, ou dê grandes saltos ("O Tigre e o Dragão"), conforme o nível nesses Taos. Um outro Tao permite até que você se equilibre na ponta de uma lança, outro te dá uma força absurda, resistência a condições adversas, uma face amedontradora para inimigos, inspiração, controle mental total, ou até o controle do próprio Tao, da força universal primordial.

Além dos Taos, existem as magias, que poucos são capazes de usar. Nada de Fireballs, Invocar Criaturas, e coisas do tipo. Todas são magias mais sutis, utilitárias, pra dar um gostinho. É mais uma simpatia, um ritual de agradecimento aos espíritos, por exemplo.

O livro ainda conta com muitos capítulos de contextualização histórica, ambientação fantástica, Taoísmo para leigos (como eu), mitologia, etc. E, como um bom livro de RPG que se preza, tem arquétipos de personagens prontos. O cavaleiro-errante, o soldado da guarda, o exorcista, o alquimista, a fora-da-lei, a espiã e o bárbaro do norte.

Farei aqui a tradução livre do background do cavaleiro errante (Wu xia).

Quando você era uma criança, seu pai falava para você sobre honra e retidão, qualidades que ele dizia ser os guias para qualquer governante. Ele era um homem amargurado, o último de uma linhagem gloriosa, retirado de seu direito de nascença. Seu ódio pelos novos governantes não conhecia barreiras, e ele o via apenas como um instrumento de sua vingança.
Seu pai o colocou sob a tutelagem de um misterioso velho chamado "Sem-Sabedoria". No primeiro ano de seus estudos, ele o tratou como não mais que um servo, lhe carregando pelas estradas de Zhongguo. Quando ele finalmente viu que sua mente estava aberta e pronta para aprender, ele lhe deu uma simples espada de madeira e começou seu treinamento. Ele era um exigente, embora paciente shifu. Em alguns meses, ele transformou um jovem imaturo em um espadachim talentoso. Somente então, ele lhe deu uma espada de verdade e liberou você para procurar desafios pelo mundo. "Volte somente quando esta espada estiver quebrada" foram as últimas palavras dele para você.
Depois de alguns anos à margem da sociedade, no mundo conhecido como jiang hu, você voltou ao seu mestre. Sua espada já estava lascada e gasta por incontáveis combates, e você já era agora um da xia realizado. Vendo seu retorno, Sem-Sabedoria lhe ofereceu um amuleto de madeira com seu novo nome inscrito, Dragão das Cinco Virtudes. "À honra e retidão, você somou bravura, dedicação e compaixão. Agora, eu não tenho mais nada para lhe ensinar." Com essas palavras, ele lhe desejou adeus.
Desde aquele dia, você vaga por wu lin à procura de perfeição como um guerreiro e de novos encontros. Você ajudou a Dama do Palácio de Prata, e em gratidão, ela lhe ofereceu um dos mais preciosos tesouros do clã, a Espada que Entalha as Brumas. Esta arma magnífica se tornou sua mais fiel companheira.

Só esse Background do cara já dá uma p*** vontade de jogar! Não sei se foi por causa de minha entrada no kung fu, ou sei lá, mas reli o livro de regras ontem e hoje e senti que devia comentar sobre essa obra prima. Infelizmente, sem a mínima chance de vir para o Brasil, mas eu fico de olho para oportunidades. Ainda quero jogá-lo, mas preciso de um narrador dedicado e que conheça um pouco dos princípios deste cenário fantástico.
Fica a dica (e a vontade tremenda).

domingo, 26 de julho de 2009

"Eu uso minha rajada óptica no Robô Gigante do governo"



O título desse post faz uma referência clara a um clássico de super heróis que todo mundo conhece e gosta (se você não gosta de X-men, DC, Marvel ou suas derivadas, não leia mais nada deste blog). Mas até então, o blog não era sobre RPG? Bem, todos sabem que RPG de super-heróis não é uma novidade. O GURPS Supers do Steve Jackson já cobria essa vaga muito bem anos atrás. Pelo que andei lendo por aí, existia um DC Heroes e um Marvel RPG também. Não tive contato com estes últimos, mas imagino que sejam bons, já que são bem específicos para a proposta.

Mas, ao menos o GURPS, tinha alguns problemas para a criação do seu personagem. O número muito grande de poderes diferentes dificultava a simulação dos poderes de alguns heróis com habilidades mais diferenciadas (com o Lanterna Verde e as enormes variações que pode fazer com seu anel). Em contrapartida, um "Super Homem-like" era invencível a qualquer coisa.

Recentemente, a Green Ronin Lança o livro da segunda edição de Mutantes & Malfeitores (Mutants & Masterminds no original), um sistema bem inusitado. Pra começar que usa o sistema de compra de pontos, como GURPS, mas é D20! O D20 está mais relacionado com o uso do famigerado dado para os testes, os atributos, perícias, feats e testes de resistência. O ataque, dano, e o mais importante, a Resistência (Toughness) que entra no lugar dos pontos de vida são completamente alterados, diminuindo a eficácia dos combos de powergamers com carência afetiva e deixando o combate super divertido e prático (havendo a possibilidade de o personagem ser jogado longe depois de levar um malho descomunal). Há muitas outras mudanças em relação aos outros sistemas D20, mas essas são as principais.

Os poderes são bem abertos quanto à customização dos mesmos, deixando as diferenças entre os personagens muito mais pelo flavour escolhido pelo jogador. Não tem como não ler os poderes sem se lembrar de seus heróis favoritos. Outro ponto forte do livro é o capítulo de ambientações, que dá muitas idéias sobre as Eras dos quadrinhos, sobre o nível de violência, sobre o nível de maniqueísmo, sobre o realismo, sobre as origens dos poderes, etc. Também não tem como não lembrar dos seus heróis quando se lê os exemplos de personagens de cada ambientação.

Em mesa, o sistema se mostrou bem prático, divertido e bem flexível também. Acho que a criação de personagens foi um tanto demorada, mas creio que isso se deve à não-familiaridade com o sistema. Sistemas de compras de pontos começam meio truncados na criação, mas logo pega-se o jeito.

Posso dizer que esse sistema é a melhor coisa já lançada num sistema D20 (talvez até melhor que o Star Wars Saga também, mas essa discussão fica pra depois), super aberto a qualquer coisa que você possa imaginar, sendo possível até utilizá-lo em ambientações mais realistas, limitando certos poderes. Virou o meu xodó, e custou 40 reais (com frete incluso, pelo que eu me lembre) na Moonshadows. A versão traduzida da Jambô infelizmente é em preto e branco, mas o livro vale pelo conteúdo.

Esse eu aprovo! =D

domingo, 19 de julho de 2009

F.U.B.A.R



É, pra começar resolvi escolher um sistema meio obscuro, mas terrivelmente divertido. F.U.B.A.R (fucked up beyond all repair) é uma adaptação de Segunda Guerra Mundial para D20, usando alguns elementos clássicos do sistema com adição de regras mais atualizadas sobre armas de fogo e níveis de vitalidade.
Não sei se é porque eu sou um aficcionado por WWII ou se é porque esses sistemas "one-shot" ou "fast-food" têm essa característica, mas rende uma tarde de zoeiras sem complicações com fichas e mecânicas. Os jogadores não precisam elaborar prelúdios complexos. Eles estão na guerra, oras! Pegue seu rifle e marche, soldado! Talvez uma campanha demorada desse sistema perca um pouco de sua espontaneidade, mas as sessões "one-shot" que eu joguei foram ótimas.
O sistema ainda usa as classes, com bônus de ataque, feats, habilidades de classe, perícias, pontos de habilidade e classes de armadura (essa aumenta também conforme o personagem ganha níveis de classe). As classes disponíveis são Soldado (o bom e velho bucha), Oficial (o chefinho), o Médico (não preciso dizer muito) e o Engenheiro (sabotador, "oreia seca", ladino). As classes de prestígio compreendem desde o Comando (o boina verde, nosso querido Rambo) até o Atirador de Elite (headshot!).
Uma diferença marcante do F.U.B.A.R. para o D&D, por exemplo, é o uso do sistema de pontos de vitalidade e pontos de ferimento. Os pontos de vitalidade são os pontos de vida mesmo, mas estão ligados à fadiga do combatente ao se esquivar dos ataques, pular no chão, e tudo mais. Ataques normais pegam nesse ponto de vitalidade. Quando esses pontos acabam ou quando o milica toma um acerto crítico, o dano da arma vai nos pontos de ferimento (é onde a coisa pega). Os pontos de ferimento têm um valor igual ao da constituição do personagem e quando o cidadão perde todos ele está sangrando e morrendo. Isso deixa o negócio extremamente mortal! Um cara com constituição 16 tomando um crítico de rifle com 3d8, já era!


Como não estou jogando F.U.B.A.R. por agora, postarei também o que teve nas nossas sessões passadas.
Lá estávamos, Stalingrado, a Mãe Rússia tomada pelo eixo. Tínhamos que impedir um carregamento nazista que chegaria na ponte daqui dois dias. Eu era o oficial, Renato um soldado wanna-be sniper e o Raulin um soldado wanna-be Rambo. Eu controlava o resto do batalhão nos combates também, contando com um médico, dois engenheiros e mais 4 soldados.
Andando em uma rua em ruínas, ouvimos barulho dos Panzers! Raulin corre para o segundo andar de um prédio destruído, eu e o batalhão nos escondemos nos destroços na rua e Renato pula em um campo baldio atrás de algum entulho. E logo começa a troca de tiros!
Na primeira ação, Raulin pisa em uma mina terrestre e tem que ficar o resto do combate com o pé em cima! Renato dá algum dano em soldados esparsos e meus pracinhas fazem o que podem. Um engenheiro já toma um tiro do tanque e cai no chão sangrando. O médico vai dar uma de herói para curar o cidadão e toma um crítico de rifle. Nosso único médico cai na primeira rodada com um único belo tiro! O combate foi enrolando, alguns caindo de cá e de lá e um soldado do meu lado que não ouvia ordens se punha na frente do tanque com uma rocket launcher dizendo "Cães nazistas! Eu terei minha vingança!". Esse soldado deve ter tomado no máximo 2 tiros depois de umas 5 rodadas na frente dos caras e ainda ficou de pé no fim. Resumindo, um monte de casualidades, combate tático pra lá e pra cá = Diversão! Essa parece ser a premissa do sistema, jogar um Commandos ou Company of Heroes versão de mesa. Só sei que é divertidíssimo e merece uma olhada para quem curte Segunda Guerra, mãe Rússia, Normandia, cães nazistas, blitzkrieg e tudo mais =)

sábado, 18 de julho de 2009

"Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante...."


Senhoras e senhores! Cá estou eu criando um blog. Taí um negócio que achei que não fosse fazer. Mas, já que to aqui, com umas idéias e caraminholas na cabeça, formulei o pensamento: "farei um blog!"

Como não sou nenhuma menina de 12 anos, não vou falar sobre as coisas que fiz na escola hoje. Como não sou emo, não colocarei poemas sem inspiração por aqui também. Como só sou um escritor bom o suficiente para escrever dissertações científicas, não pretendo me passar por Machado de Assis por aqui também não. Como não sou religioso, nada de transcrições de textos sagrados. Como não sou otaku, nada de uploads de animes.

Toda essa amálgama de coisas que eu não sou acaba limitando um pouco os meus assuntos. Sobre o que devo falar no meu blog? Nerdices? Há milhares de sites com essa proposta, muito mais competentes que eu. Filmes? Há milhares de sites com essa proposta, muito mais competentes que eu [2]. Biologia? Não sei se seria lá muito divertido ficar passando aqui artigos de ecologia de comunidades bentônicas, filogenia de Trichoptera, teorias biogeográficas e projetos de conservação. Talvez eu até venha a fazer isso futuramente... é.. eu realmente não havia pensado nisso... boa idéia...

Mas tudo bem, acabou que resolvi criar um blog sobre RPGs. Sim, há milhares de sites com essa proposta por aí, mas nada que se destaque. Não que eu acredite que este aqui vai se destacar "pacacete", mas ao menos conhecimento de causa eu tenho de sobra. A idéia é comentar sobre os sistemas, ambientações, cenários e tudo que eu conheço/conheci nas mesas ou no computador. Deixar clara a mecânica do jogo, o meu gosto pessoal por tramas elaboradas e como as sessões se desenvolveram. Veremos no que vai dar essa belezinha. Quanto ao nome, bem, mistura de Lucas.. digo... Luke Skywalker com Hobbits, acho que ficou bacana. Pensei em botar Toca do Ewok, mas aí o negócio não seria levado muito a sério.

Boa noite e espero que gostem!